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Confira entrevista exclusiva do presidente da FIEMA, Edilson Baldez, ao Jornal O Imparcial


Data: 11 de fevereiro de 2019
Crédito: Jornal O Imparcial
Fotos: COCEV FIEMA
Fonte da notícia:Jornal O Imparcial

NEGÓCIOS

 

ENTREVISTA: EDILSON BALDEZ

População não aceita mais desmandos

 

Em entrevista exclusiva ao jornal O Imparcial, o presidente da Fiema, Edilson Baldez, fala sobre expectativas da indústria no estado e a resposta do povo nas urnas em 2018

 

RAIMUNDO BORGES

DIRETOR DE REDAÇÃO

 

O rosariense Edilson Baldez das Neves, de 71 anos, reeleito duas vezes presidente da Federação das Indústrias do Maranhão e vice-presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), começa o ano de 2019 e o 3o mandato à frente da Fiema. Por coincidência, o país vive a renovação na Presidência, nas casas do Congresso Nacional e o Maranhão ingressa no segundo mandato do governo Flávio Dino, filiado ao PCdoB deixando para trás uma história de 50 anos de mandonismo do grupo Sarney.

 

O mesmo estilo conciliador que adota na entidade dos industriais, Baldez estende na relação institucional com governantes e políticos. Nesse universo de contradições e também convergência, ele se mostra otimista quanto à condução do país por Jair Bolsonaro, quanto o Maranhão por Flávio Dino. Sobre essa dicotomia entre os dois governantes, Baldez reconhece que “as dificuldades existem para serem superadas". Acredita que o novo presidente vai cumprir a promessa de dar prioridade à geração de emprego, fazendo o setor industrial - principalmente a construção civil - retomar o ritmo acelerado de antes.

 

Foi nesse clima de expectativas, em que ele abomina o pessimismo e a possibilidade de prolongamento da crise, que Edison Baldez recebeu O Imparcial para a entrevista exclusiva. Ele analisa as eleições de 2018: "O que as umas mostraram, em outubro último, foi que a população não mais aguentava os desmandos”.

 

O Imparcial - Como se encontra hoje o setor industrial do Maranhão? A crise o afetou em qual dimensão?

 

Edilson Baldez - A crise afetou sim a indústria, como, aliás, atingiu todos os segmentos econômicos. Por exemplo, a Construção Civil, a que mais emprega foi afetada, desde as pequenas até as grandes empresas. Os grandes projetos que estavam se instalando no Maranhão deram uma parada, na expectativa do que pode ser feito a partir deste ano.

 

O Imparcial - O senhor, quando fala em construção civil, se refere aos projetos habitacionais do Minha Casa, Minha Vida, que realmente deram uma desaceleração? Ou também dos outros de infraestrutura?

 

Edilson Baldez - No Minha Casa, Minha Vida, sim. Como o Maranhão é dos estados com maior déficit habitacional, a desaceleração do programa afeta de uma vez só o emprego na área que mais emprega e a moradia popular. É um prejuízo dobrado. Por outro lado, temos grandes investimentos na área da indústria de transformação que são importantes, mas passaram a andar muito devagar. Isso é preocupante.

 

O Imparcial - Em que situação se encontram os projetos trazidos pelos chineses para o Maranhão, como a construção do Porto São Luís e da siderúrgica em Bacaheira?

 

Edilson Baldez - O caso do porto é emblemático. Existem algumas amarras sobre o projeto, que diria até fabricadas, com as de caráter social, com informações distorcidas segundo as quais, os moradores seria prejudicados. Mesmo sendo de relevância significativa para o desenvolvimento do Maranhão, porém, por trás das reclamações sociais, muitas até fabricadas, existem também politicagem de alguns setores que não pensam em favor do Estado. Isso prejudicou o andamento das obras. No fim do ano passado fizemos uma visita às obras e constatamos que a área está desafetada, em condições de prosseguir. É um projeto extremamente importante para São Luís e para o Maranhão. No caso da siderúrgica, as obras também deram uma desaceleração em razão do mercado internacional, onde o preço do ferro caiu muito e levou os investidores a aguardarem o melhor momento para retomar o ritmo mais dinâmico da construção.

 

Expectativa de crescimento na indústria

 

O Imparcial - O senhor, como liderança empresarial no setor industrial, acha que o esfriamento do entusiasmo inicial dos chineses pelos projetos no Maranhão tem algo a ver com a mudança no governo, com Jair Bolsonaro, que não nutre simpatia pela China, que é comunista e o governo é anticomunista?

 

Edilson Baldez - Não, não vejo isso. Acho que uma coisa não tem nada a ver com a outra, o que está à frente de tudo é o capital, que pode ser chinês, pode ser americano. O capital não tem pátria, nem ideologia, os investidores o aplicam onde houve possibilidade de ganho. E assim que o capitalismo opera. Portanto, não vejo como essa questão ideológica venha prejudicar os projetos do Maranhão. Afinal, todas as regras no âmbito nacional que precisavam de solução, já foram consolidadas com o governo anterior. Acho que o real entrave é no âmbito internacional, o preço do ferro, que está muito baixo, mas isso é questão de conjuntura, que esperamos mude logo. Os investimentos no Maranhão estão assegurados e agora é só uma questão de momento para as obras serem tocadas.

 

O Imparcial - Quais são as expectativas do setor industrial sobre esse começo de governo Bolsonaro?

 

Edilson Baldez - São muitas boas. A construção civil, que falei anteriormente, é a primeira delas. Bolsonaro sabe que temos 13 milhões de desempregados para debelar esse sofrimento, a construção civil é o caminho inicial. Tocar muitas obras paralisadas e abrir novas frentes.

 

O Imparcial - Qual é o nível de relação do empresariado da indústria com o governador Flávio Dino, em razão de ele ser filiado ao PCdoB?

 

Edilson Baldez - É bom o relacionamento do empresariado maranhense com o governo do Estado, que vem desde os primeiros dias da administração Flávio Dino, quando, por demanda da classe produtiva, ele criou o Conselho Empresarial do Maranhão - CEMA. Isto independe de partido político, porque a bandeira política da FIEMA é a defesa de interesses da indústria maranhense. Este é o foco de nosso trabalho.

 

O Imparcial  - Há parceria sustentável entre o Palácio dos Leões e o setor empresarial?

 

Edilson Baldez - A própria composição do Conselho Empresarial do Maranhão garante assento a todos os segmentos através das entidades de classe. Isso mostra o grau de aproximação com o governo. Independentemente do CEMA algumas iniciativas do governo do estado, principalmente por meio da Secretaria de Indústria, Comércio e Energia têm sido conduzidas em parceria. E o reconhecimento de que, isoladamente, nem governo, nem empresários podem resolver alguns problemas sozinhos. Alguns projetos, por sua própria natureza, demanda uma atuação em parceria, da qual devem resultar benefícios para toda sociedade maranhense.

 

O Imparcial  - Quais são os fatos, no seu entendimento, que travam o desenvolvimento do Maranhão a ponto de torna-lo o estado mais pobre da federação?

 

Edilson Baldez - O desenvolvimento do Maranhão é um processo e por isso mesmo ele não se realiza em um período de governo, assim como o não-desenvolvimento decorre de acúmulos de deficiências que precisam ser entendidas, equacionadas e superadas. Muitos desses obstáculos persistem, a exemplo da nossa infraestrutura de transportes e logística; da baixa qualidade da nossa educação que não tem preparado mão de obra em condições de atenderem as demandas do sistema produtivo; o baixo padrão tecnológico, da grande maioria das nossas empresas, fruto em certa extensão dos reduzidos investimentos em pesquisa. E ainda há a insegurança jurídica que atrapalha o ambiente de negócios e a burocracia no licenciamento ambiental.

 

O Imparcial - O fato de Flávio Dino ser do PCdoB e o presidente Jair Bolsonaro ser carimbado como de extrema-direita, pode travar a relação institucional entre Brasília e o Palácio dos Leões?

 

Edilson Baldez - Não acredito nisso. O Governador Flávio Dino tem dito que é governador de todos os maranhenses, e o Presidente Jair Bolsonaro, já na sua posse, disse que governaria para todos os brasileiros, independentemente de partido, cor, sexo ou religião. Na democracia, os interesses coletivos estão acima dos individuais, particulares ou de vaidades pessoais. O governo federal está anunciando ações para o Nordeste, região em que Bolsonaro foi menos votado. Então, não há barreira partidário-ideológica.

 

O Imparcial - O senhor está otimista com as mudanças trazidas pelas urnas para o Congresso e o governo Bolsonaro?

 

Edilson Baldez - Sempre o lado otimista. Pois entendo que as dificuldades existem para serem superadas; Isto vale no campo pessoal quanto no ambiente de gestão de negócios. O que as urnas mostraram, em outubro último, foi que a população não mais aguentava os desmandos, a corrupção, o desgoverno, a prática política viciada no tempo. As mudanças no Congresso são espelho disso e acredito que mudanças mais expressivas ainda virão com a aprovação das reformas estruturais necessárias ao crescimento econômico e desenvolvimento social do país, principalmente as reformas da previdência, tributária, na segurança e na educação e desenvolvimento científico-tecnológico. O desenvolvimento do Maranhão não pode ficar preso a um “desenvolvimento visto pelo retrovisor”. Eu acredito no futuro e precisamos ter gerações futuristas.

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