São Luís – O andamento das obras rodoviárias e ferroviárias que darão acesso ao Terminal de Grãos do Maranhão (Tegram) voltou a ser discutido na Federação das Indústrias do Estado do Maranhão (Fiema), na 2ª reunião ordinária do Conselho Temático de Infraestrutura (Coinfra), da entidade.
“Sabemos que a construção de algumas das vias de acesso ao Porto do Itaqui e que são específicas para transportar os grãos até o Tegram ainda não foram iniciadas e isso pode ser um entrave ao pleno funcionamento do Terminal, já que a previsão é que o fluxo aumente em uma proporção que a atual estrutura não comporta”, afirmou o industrial e presidente do Conselho Temático de Infraestrutura da Fiema, José de Ribamar Barbosa Belo.
Para apresentar o andamento de cada um desses trechos – o acesso da BR-135 até o Porto do Itaqui, a construção do ramal ferroviário específico para cargas do Tegram e ainda, a dragagem do berço 103 – foram convidados representantes dos órgãos e entidades envolvidos com o projeto e com a construção desses acessos, dentre as quais, a própria Empresa Maranhense de Administração Portuária (Emap), o Consórcio Tegram (formado pela NovaAgri, Glencore, CGG e Consórcio Crescimento), o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) e a empresa VLI Logística, além de empresários industriais e membros do Conselho.
“A proposta da Fiema é unir os envolvidos para vislumbrarmos, juntos, inciativa privada e poder público, as soluções para
acelerar o início dessas obras”, afirmou Zeca Belo.
Vias – Uma das vias discutidas na reunião do Coinfra e que poderá ser utilizada para transportar grãos até o Tegram foi a ferroviária, especificamente, a construção do ramal ferroviário que ligará a Estrada de Ferro Carajás (EFC) e a Ferrovia Norte Sul (FNS) até o porto maranhense. A obra, que estava parada por uma questão legal ligada à concessão do trecho, está sendo retomada, segundo o representante da empresa VLI Logística.
“Agora que todas as questões de licença e cessão da área já foram solucionadas, a previsão é que o ramal seja entregue até abril de 2015”, disse Evaldo da Silva Barbosa, da VLI Logística.
Já no modal rodoviário, o início da obra de construção de um elevado na BR-135 para acesso ao Porto do Itaqui também foi questionado na reunião. Segundo o representante do DNIT, Antônio Máximo Filho, que é responsável pela área de Estudos e Projetos, o projeto conceitual foi enviado à Brasília para aprovação pelo órgão nacional. “Estamos aguardando o retorno para que seja iniciado o projeto executivo”, revelou.
A Fiema solicitou o protocolo de entrega do documento em Brasília para articular, junto ao órgão, a liberação com urgência do projeto para o Maranhão. “Esse é um acesso fundamental para suportar o crescimento do fluxo de caminhões para o Tegram. Estamos disponíveis para ajudar, principalmente, pela urgência que existe, já que o terminal, como nos informou o Consórcio, deve entrar em operação ainda este ano”, disse Zeca Belo.
O diretor de Engenharia e Manutenção da Emap, Alexandre Rizzoto Falcão, também expôs como está o processo de dragagem do berço 103, por onde serão exportadas as primeiras cargas do Tegram. “A licitação já foi aberta e assim que a empresa for contratada, a dragagem deve estar concluída em 45 dias, isto é, em novembro”, disse.
Terminal – De acordo com o gerente de implantação do Consórcio Tegram, Randal Luciano Couceiro, a previsão do início da operação do Terminal é novembro de 2014. Por isso a urgência no início e conclusão das vias de acesso, já que o funcionamento pleno do Tegram depende dos três modais.
“O Tegram terá um sistema de recebimento ferroviário com capacidade para 4 mil toneladas/hora de recebimento. No modal rodoviário, terá oito tombadores de caminhões, com capacidade de 750 toneladas/hora, dois tombadores por armazém, estruturas individualizadas, de acordo com as nossas consorciadas. Já no carregamento de navios, a capacidade será de 2500 toneladas/hora, na primeira fase e mais 2500 toneladas/hora, na segunda fase, totalizando 5 mil toneladas”, explicou Randal.
O Terminal de Grãos do Maranhão está projetado para exportar 10 milhões de toneladas de grãos anuais, já com as duas primeiras fases do projeto concluídas. Serão quatro armazéns, com capacidade de 125 mil toneladas cada um, com 500 mil toneladas de capacidade estática de armazenagem de grãos disponíveis. O investimento é de R$ 1,1 bilhão.
É a segunda vez só este ano, que o Tegram é pauta principal da reunião do Coinfra. No mês passado, o gerente de implantação do Consórcio Tegram, Randal Luciano Couceiro, também apresentou o andamento das obras na reunião de diretoria da Fiema, presidida pelo vice-presidente da Federação, Francisco Sales.