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Indústria: Desaceleração e Desafios


Data: 25 de maio de 2015
Crédito: Coordenadoria de Comunicação e Eventos/FIEMA

O processo crescente de globalização tem exigido da economia e, em particular, das empresas industriais esforços cada vez maiores na busca pela competitividade (capacidade da empresa concorrer no mercado consumidor, igualando ou superando seus concorrentes), sem a qual pode por em risco expressivas fatias de mercado. Essa busca pela competitividade leva, de um lado, à necessidade de identificação e mapeamento dos fatores que a determinam e, de outro, à procura de alternativas para conquista de novos mercados.

A competitividade implica a criação de diferencial para o produto ou para a empresa traduzida em graus de preferência, que podem estar associados a preço ou à qualidade intrínseca do produto ou ao conteúdo de inovação que possui. No entanto, fatores externos às empresas podem afetar o seu desempenho, tais como o ambiente macroeconômico, nível educacional da população, as disponibilidades de tecnologia e inovação, a qualidade da infraestrutura e logística.

Na atual conjuntura brasileira as variáveis do ambiente macroeconômico têm contribuído fortemente para um ambiente desfavorável aos negócios e ao crescimento industrial. O emprego industrial, por exemplo, vem caindo seguidamente.  Segundo o IBGE, no mês de março último, sua queda foi de 0,6% em relação a fevereiro de 2015 e representou o terceiro resultado negativo seguido. Em relação ao mesmo período do ano anterior, a retração do emprego foi ainda maior (5,1%), a mais elevada desde outubro de 2009 (-5,4%).

O volume de pessoal ocupado na indústria, em março, recuou 4,6 em relação a fevereiro, enquanto que a produção caiu 0,8%, principalmente em razão da queda no índice de confiança dos empresários e na retração da demanda dos consumidores.

Para o Maranhão, a conjuntura nacional e internacional não se tem mostrado muito favorável e isto tem induzido a decisões indesejáveis ao nosso estado, com desacelerações no nível das atividades produtivas e do emprego, com evidentes reflexos sobre a circulação de renda na formação de fluxos de demanda.

No mercado de mão de obra, o fechamento de 4,6 mil postos de trabalho na indústria, neste ano de 2015, é preocupante porque afetou todos os segmentos industriais, em particular a construção civil. Preocupa mais ainda pelos efeitos negativos que isto representa sobre a massa salarial, a demanda dos consumidores e o volume de negócios do setor comercial e de serviços. Contribuíram para esse cenário negativo, entre outras coisas, a suspensão da produção primária de alumínio, a crise no segmento de ferro gusa com o fechamento de três guserias, a desaceleração de obras públicas e civis.

Este é um panorama que não se pode esconder. Mas, é preciso enfrentar.

As economias que possuem “gorduras” a queimar podem estar melhor instrumentalizadas no enfrentamento dessas dificuldades conjunturais. É o caso, sem dúvida, do Maranhão.

Ao longo dos últimos anos, o Maranhão atraiu e instalou vários empreendimentos industriais por seu porte e importância estratégica e que ajudam a sustentar uma dinâmica econômica ímpar em termos regionais e nacionais. Destacam-se: duas fábricas de cimento, refino de óleo de soja, produção de papel e celulose, produção e geração de energia, mineração, aciaria, além de inúmeras obras civis no setor imobiliário.

Focado nas necessidades dos grandes projetos implantados ou em implantação, o Sistema FIEMA cuidou, nesses últimos anos, de preparar empresas maranhenses para o atendimento de suas demandas. Nesse sentido, triplicou o número de matrículas em cursos de formação ou qualificação profissional, promoveu a certificação de mais de uma centena de empresas maranhenses habilitando-as para serem fornecedoras das empresas de grande porte, melhorando, também, o perfil de nossos empresários. Com as certificações, essas empresas tornam-se mais competitivas e ajudam a melhorar o fluxo de rendas circulando dentro do estado.

Por ser conjuntural, a crise é passageira, e essa percepção aparece refletida no Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI) divulgado pela CNI/FIEMA. No último mês de abril, o ICEI mostra que as expectativas dos empresários são positivas com relação à economia brasileira (índice de 55,9, superior, portanto, ao limite 50,0), ao estado (57,0) e às próprias empresas (71 pontos), para os próximos seis meses, todos acima do ICEI para o conjunto do Brasil.

Por fim, vale lembrar o fato de o Estado do Maranhão estar sob a gestão de um novo governo, que se propõe a mudanças estruturais significativas e que essas mudanças sejam feitas no sentido de manter o ritmo de crescimento econômico estadual em patamares superiores à média regional e do país. Para tanto, é preciso que o governo pratique uma política econômica que aumente a demanda pública e privada, fazendo crescer os investimentos e a oferta de produtos materiais e imateriais, e, ao mesmo tempo, criando os instrumentos operacionais que efetivem, no curto e médio prazos, o Programa Mais Empresas, instituído recentemente pela Medida Provisória nº 200.

Edilson Baldez das Neves

Presidente da Federação das Indústrias do Estado do Maranhão (FIEMA)

São Luís, 25 de maio de 2015. Dia da Indústria.

 

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