São Luís – Em reunião do Conselho Empresarial do Maranhão (CEMA) realizada no início dessa semana, a Federação das Indústrias do Estado do Maranhão (FIEMA), representada pelo presidente Edilson Baldez, se comprometeu a monitorar as obras de recuperação da BR-135, iniciadas recentemente pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT).
A BR-135, única via de acesso por terra à capital maranhense, se transformou em um verdadeiro caos, palco de vítimas de acidentes de trânsito fatais, assaltos, homicídios e prejuízos aos motoristas em razão dos buracos que literalmente engolem os carros. Para a indústria maranhense, a não conservação da BR faz aumentar os custos logísticos, algo difícil de administrar no real momento de recessão econômica pelo qual passa o país.
Presente na reunião do CEMA, o superintendente do DNIT no Maranhão, Maurício Itapary, informou que os serviços de manutenção para o trecho da BR-135, entre o Km 0 (que inicia no aeroporto de São Luís) e Santa Rita (MA), no Km 69, já tem contrato assinado e serviços reiniciados. Para o trecho da BR-135 entre os Km 69 e km 199,3, em Caxuxa (MA), o DNIT está abrindo uma nova licitação para as obras de conservação e manutenção.
Os trabalhos de reparos na BR-135/MA foram iniciados na última quarta-feira, (30/03), com uma operação de tapa-buracos no trecho do Km 15, em Pedrinhas, no segmento da pista que chega à São Luís. Paralelamente, também está sendo feita a limpeza dos dispositivos de drenagem para melhorar o escoamento de água. No total, oito frentes de trabalho agilizarão os serviços de manutenção na rodovia. A estimativa da Superintendência Regional do DNIT no Maranhão é que esses serviços sejam concluídos em 60 dias, apesar de que o fator climático (com chuvas mais intensas) poderá interferir no cronograma.
“A atual situação da BR-135 aumenta os custos tanto de quem produz aqui no Estado, quanto de quem importa, pois os produtos chegam mais caros devido aos fretes que passam a subir de preço e atrasar as entregas. Tudo isso, tira o poder de competitividade da indústria maranhense, e provoca uma depreciação do mercado e do produto local,” ressaltou o presidente da FIEMA, Edilson Baldez das Neves.
PRODUTIVIDADE - Em 2015, o Conselho Temático de Infraestrutura e Obras da FIEMA, presidido pelo vice-presidente da entidade, José de Ribamar Barbosa Belo, e empresários das indústrias de cerâmica e arroz do Estado apresentaram um relatório contendo a situação atual das principais rodovias que cruzam o Maranhão, dentre elas, a BR-135 e os impactos na produtividade das empresas.
O levantamento foi entregue aos representantes do DNIT, à Secretaria de Estado de Infraestrutura (Sinfra) e à Assembleia Legislativa, com diversas reinvindicações de melhorias na estrada, principalmente no que se refere à má conservação, a sinalização deficitária, o excesso de quebra-molas e outros gargalos que afetam diretamente as indústrias que utilizam o modal rodoviário para o transporte de cargas.
“Dados da Confederação Nacional de Transporte (CNT) mostram que mais de 27% das rodovias maranhenses estão em estado ruim ou péssimo. É um gargalo que precisamos nos unir para superar, pois afeta o crescimento e a competitividade das empresas do nosso estado”, afirmou o vice-presidente da FIEMA, José de Ribamar Barbosa Belo, que já iniciou o monitorar das obras na BR-135, juntamente com uma comissão.
Para o presidente do Sindicato das Indústrias de Cerâmica para Construção do Estado do Maranhão (Sindicerma) e do Sindicato das Indústrias de Arroz (Sindiarroz), Benedito Bezerra Mendes cerca de 120 indústrias do setor utilizam a BR para circulação da produção de cerâmica vermelha dentro do estado e fora dele. “Cerca de 70% dessas empresas são sindicalizadas e empregam, em média, 12 mil trabalhadores, que contribuíram para que, nos últimos 15 anos, o estado se tornasse autossuficiente no produto. No entanto, a má conservação das estradas encarece em pelo menos 30% os custos de produção, prejudicando o setor industrial e a economia local, e chegando ao ponto de provocar um desabastecimento de produtos em São Luís”.
LOMBADAS – Entre os entraves expostos pelo empresário, a grande quantidade de quebra-molas em pequenas distâncias chamou a atenção dos membros do Conselho. “São 48 lombadas somente nos primeiros 100 km entre São Luís e Entroncamento”, declarou.
Segundo informou Benedito Mendes, a maior parte dessas ondulações transversais (lombadas) foi construída pela própria população, em protesto aos acidentes e atropelamentos causados aos moradores que instalam suas residências à beira das estradas maranhenses, invadindo a faixa de domínio das malhas viárias. A resolução Nº. 336, de 24 de novembro de 2009, do Conselho Nacional de Trânsito – CONTRAN proibiu a utilização de tachas e tachões, aplicados transversalmente à via pública, como sonorizadores ou dispositivos redutores de velocidade.