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Retração da indústria da construção, em março, foi a mais rápida e abrupta, aponta CNI


Data: 5 de maio de 2020
Crédito: Agência CNI
Fotos: COCEV FIEMA
Fonte da notícia: CNI

Brasília- A Sondagem Indústria da Construção, realizada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), mostra que o mês de março de 2020 foi fortemente afetado pela pandemia do coronavírus. A pesquisa mostra quedas acentuadas em todos os indicadores: utilização da capacidade operacional, condições financeiras; confiança; expectativas para os próximos seis meses e intenção de investimento. A sondagem colheu informações com 411 empresas, sendo 143 pequeno porte, 181 médio porte e 87 de grande porte.

A atividade industrial na construção caiu de forma inédita entre fevereiro e março. O índice de evolução do nível de atividade ficou em 28,8 pontos, o que demonstra uma queda muito intensa e disseminada. Esse indicador varia de 0 a 100, com linha divisória de 50 pontos, que separa crescimento e queda do nível de atividade. Os valores abaixo de 50 pontos são considerados retração. “É o valor mais baixo da série histórica. Indica recuo de intensidade e disseminação jamais registrados na série mensal”, explica do economista da CNI Marcelo Azevedo.

Apesar disso, a queda no emprego não foi tão intensa quanto a retração do nível de atividade. O indicador de evolução do número de empregados registrou 39 pontos, 11 pontos abaixo da linha divisória de 50 pontos. Entre os motivos estão a rapidez e a surpresa da queda da atividade e a possibilidade de os empresários adotarem medidas temporárias para preservação de empregos, como a redução proporcional de jornada e salário. Essas foram alternativas à dispensa permanente.

“Mas não sabemos como vai ficar nos próximos meses, devido a forte contração da atividade e das expectativas”, afirma o diretor de Desenvolvimento Industrial da CNI, Carlos Abijaodi.

Empresários estão pessimistas sobre os próximos seis meses - Diante da atual conjuntura, as expectativas para os próximos seis meses registraram as maiores quedas observadas na série histórica. Esse fato demonstra a preocupação do empresário da indústria da construção com o futuro imediato.

Os índices de expectativas do nível de atividade e de novos empreendimentos e serviços recuaram 27,4 e 26,6 pontos, respectivamente, em abril na comparação com março. Os indicadores de expectativas de compras de insumos e matérias-primas e do número de empregados recuaram, 24,9 e 22,8 pontos, respectivamente, no mesmo período.

Os números de abril de 2020 representam o patamar mais baixo atingido por todos os indicadores de expectativa desde o início de suas respectivas séries históricas mensais.

Indústria da construção registra queda recorde de confiança - O índice de Confiança do Empresário da Construção (ICEI-Construção) registrou 34,8 pontos em abril, após cair 24,5 pontos, o maior recuo mensal da série. Com a queda, o ICEI-Construção recuou para o menor valor da série desde outubro de 2015, quando registrou 34,4 pontos.

A falta de confiança traduz o cenário atual de forte contração na atividade e elevada incerteza em razão da pandemia de Covid-19. Essa falta de confiança dos empresários vai contribuir para a paralisação dos investimentos, ou seja, para o agravamento da crise econômica.

Coronavírus afeta faturamento das empresas do setor de construção - A situação financeira das empresas da construção piorou devido à forte queda do faturamento e do nível de atividade decorrentes da pandemia. A piora nas condições financeiras ocorreu depois de três altas consecutivas dos indicadores ao longo de 2019. A insatisfação com a situação financeira e a margem de lucro operacional de seus negócios retornou aos níveis registrados no início do ano passado.

O índice de satisfação com a situação financeira registrou 38,6 pontos, redução de 6,2 pontos frente ao quarto trimestre de 2019. A queda reverte a maior parte de toda melhora acumulada em 2019. A lucratividade também foi afetada negativamente. O indicador de satisfação com a margem de lucro operacional registrou 34,1 pontos após queda de 5,8 pontos em relação ao quarto trimestre de 2019.

O acesso ao crédito também se tornou mais difícil no primeiro trimestre de 2020. O índice de facilidade de acesso ao crédito também recuou 5,4 pontos, de 37,6 pontos para 32,2 pontos.

Confira aqui a sondagem da construção civil

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