SÃO LUÍS – As biorrefinarias do Maranhão desempenham um papel central na transformação da matriz energética brasileira. O estado produziu 168 milhões de litros de etanol em 2024, com previsão de crescimento de 250% graças à usina Inpasa, em Balsas. O Maranhão está se tornando um exportador de etanol, combustível que reduz em cerca de 90% as emissões de carbono em comparação com a gasolina.
As biorrefinarias maranhenses vão além do etanol e açúcar. Milton Campelo, presidente do Sindicato das Indústrias de Cana, Açúcar e Álcool do Maranhão e Pará (Sindicanálcool), filiado à Federação das Indústrias do Estado do Maranhão (FIEMA), destaca que o setor produz bioenergia, álcool carburante e tem potencial para fornecer produtos de uso farmacêutico e em gel, além de plásticos biodegradáveis. Essa diversificação substitui produtos fósseis, reduz o impacto ambiental e promove a descarbonização industrial. O setor já emite Certificados de Descarbonização (CBIOs) há cinco anos, integrando o mercado de carbono brasileiro e estimulando práticas sustentáveis.
DIVERSIFICAÇÃO DA MATRIZ ENERGETICA - A bioeletricidade gerada a partir do bagaço da cana-de-açúcar contribui para a matriz energética diversificada do país. Essa energia renovável soma-se a fontes solar, eólica e hidrelétrica, em um processo chamado "adição energética", que amplia a oferta sem substituir o petróleo. "Essa diversificação é crucial diante do aumento do consumo energético provocado por tecnologias como inteligência artificial e mineração de criptomoedas", exemplificou Milton Campelo.
Este ano, a 6ª edição da Expo Indústria Maranhão, que acontece entre 2 e 5 de outubro no Multicenter Negócios e Eventos, será uma oportunidade de reunir especialistas em torno do tema inteligência artificial. Com realização do Sistema FIEMA (SESI, SENAI, IEL, CIEMA), com o apoio da Confederação Nacional da Indústria (CNI), serão discutidos aspectos como transformação digital e inovação tecnológica, sustentabilidade e competitividade industrial, além de capacitação e futuro do trabalho. O uso de tecnologias emergentes e a necessidade cada vez maior de energia serão temas abordados.
LIVRE MERCADO - Outro aspecto importante sobre a geração e consumo de energia é que, a partir de 2027, o mercado livre de energia será aberto a todos os consumidores, incluindo residenciais. Isso permitirá que indústrias e cidadãos escolham fornecedores que ofertem energia renovável, como a gerada pelas biorrefinarias. O livre mercado promete descontos de até 35% na conta de luz e maior competitividade, mas exigirá novos encargos para equilibrar contratos antigos das distribuidoras.
Milton Campelo ressalta que o setor sucroalcooleiro do Maranhão gera desenvolvimento regional e social, especialmente em municípios como Balsas, que já é o 3º maior Produto Interno Bruto (PIB) do estado e pode continuar a subir no ranking econômico. A expansão do etanol e da bioeletricidade fortalece a segurança energética e econômica do Brasil, o que reduz a dependência de combustíveis fósseis e promove inovação sustentável. O desafio agora é ampliar a infraestrutura logística, com estradas e ferrovias, para suportar o crescimento do setor. Paralelamente, a divulgação dos avanços das biorrefinarias é fundamental para conscientizar a população sobre os benefícios ambientais e econômicos dessa transição energética.