SÃO LUÍS – O destaque da palestra foi o uso de controle preditivo realizado por inteligência artificial (IA), que interpreta variáveis termodinâmicas e realiza ajustes para garantir conforto e reduzir custos energéticos em empresas e residências. A refrigeração responde por até 40% do consumo energético global, tornando prioridades a eficiência e a redução da pegada ecológica.
A palestra “Inteligência Artificial Aplicada à Refrigeração” é uma ação do Projeto Inova Indústria, realizado pela Federação das Indústrias do Estado do Maranhão (FIEMA) com parceria institucional do SEBRAE. A palestra realizada na semana passada (05/03), na sede da FIEMA, teve como público prioritário funcionários de empresas associadas ao Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico da Região Metropolitana de São Luís e Mesorregião Norte do Maranhão. O Sindimetal foi correalizador da palestra.
O presidente do Sindimetal, Osvaldo Pavão, destacou que o sindicato reúne 82 empresas dos setores metalúrgico, mecânico, elétrico e de refrigeração, abrangendo municípios como São Luís, Rosário e Santa Rita. “A inteligência artificial já é uma realidade no setor produtivo e sua adoção é essencial para qualificar processos, modernizar as empresas e ampliar a eficiência das operações. A IA chega como ferramenta estratégica para fortalecer a competitividade das indústrias e promover a atualização tecnológica dos empresários e trabalhadores da região”, comentou.
EFICIÊNCIA ENERGÉTICA - O instrutor do SENAI Maranhão, o engenheiro eletricista Marcelo Paiva Cavalcanti, disse durante a palestra que no campo da manutenção, a IA permite detectar falhas por análise de variáveis físicas em tempo real, substituindo cronogramas fixos. “Para os profissionais, o perfil exigido muda. Além da experiência prática, é preciso habilidade com ciência de dados para alimentar e interpretar sistemas inteligentes. A IA é aliada e quem não se atualizar ficará para trás”, antecipou, acrescentando que a demanda por técnicos de refrigeração continua alta quando combinada com competências em IA. A refrigeração, como mostrou o instrutor, responde por até 40% do consumo energético global, tornando prioridades a eficiência e a redução da pegada ecológica.
De acordo com Del-Alisson Miranda, consultor do Instituto Euvaldo Lodi (IEL-MA) que atua no Projeto Inova Indústria, a refrigeração é um mercado amplo com oportunidades para empresas de todos os portes e para autônomos e vem se ampliando diante das mudanças climáticas e da crescente demanda por conforto em ambientes residencial e comercial. “O uso da IA traz ganhos ambientais, pela eficiência energética, e ganhos financeiros, pela otimização de serviços e previsibilidade de demanda”, resumiu.
Nilma Marinanto foi uma das participantes da palestra. Ela é sócia-proprietária da empresa Refribus, que atua há mais de duas décadas no setor de refrigeração automotiva. “Sabemos do potencial da IA embarcada nos próprios equipamentos para diagnóstico e eficiência operacional e do quanto os veículos estão cada vez mais tecnológicos”, ressaltou a empresária. Vários funcionários da Refribus participaram da palestra.
Aurinda Maria Vasconcelos, farmacêutica e técnica de segurança, também participou da palestra. Ela lembrou que a refrigeração tem uso amplo e é crítica em muitos processos em áreas como saúde, alimentação e moda. “O uso de tecnologias como IA garantem condições seguras e eficientes para a conservação de produtos dessas e de outras áreas”, falou. Como exemplo ela citou o armazenamento e transporte adequados de insulinas e determinados colírios; o transporte de mercadoria em contêiners refrigerados e o armazenamento de alguns tipos de tecidos e produtos sensoriais.
“A IA surge como ferramenta-chave para monitoramento e gestão da refrigeração. Sistemas capazes de manter temperaturas constantes, prever falhas, ajustar fluxos térmicos e orientar práticas de armazenamento podem reduzir perdas, proteger a saúde do paciente e otimizar custos operacionais”, finalizou a farmacêutica.