São Luís — A proposta de criação da Reserva Extrativista (Resex) Tauá-Mirim voltou ao centro do debate entre setor produtivo e poder público no Maranhão. Em reunião realizada nesta terça-feira, representantes da indústria e da gestão municipal discutiram os possíveis impactos da medida sobre a economia local e a ausência de diálogo institucional no processo.
O encontro reuniu o vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado do Maranhão (FIEMA) e presidente do Centro das Indústrias do Estado do Maranhão (CIEMA), Cláudio Azevedo, com integrantes da administração municipal de São Luís, entre eles o secretário adjunto da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (SEMMAM), Caio Murad, o presidente da Agência Municipal de Desenvolvimento Econômico e Social (AMDES), Felipe Mussalém e a titular da pasta ambiental, Denise Gasparino.
No centro das discussões esteve a alegação de que a Prefeitura de São Luís não teria sido formalmente convocada nem ouvida durante a elaboração da proposta de criação da unidade de conservação. Claudio Azevedo também destacou a preocupação das entidades empresariais com a localização da área prevista para a reserva, considerada estratégica para o desenvolvimento econômico do estado.
Com extensão superior a 16 mil hectares, a Resex Tauá-Mirim abrangeria regiões próximas ao principal distrito industrial e à zona portuária, o que, segundo representantes do setor, pode gerar impactos diretos sobre operações logísticas e atividades produtivas.
De acordo com os participantes, a dimensão territorial da proposta e sua sobreposição com áreas de interesse industrial levantam dúvidas sobre a compatibilidade entre preservação ambiental e expansão econômica. A avaliação é de que decisões dessa magnitude exigem maior articulação entre os diferentes níveis de governo e segmentos envolvidos.
No mês de abril as entidades empresariais protocolaram um ofício direcionado à Prefeitura de São Luís, ao Governo do Estado, ao Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e ao Poder Judiciário. No documento, solicitam a interrupção do processo de criação da reserva até que sejam realizados estudos mais aprofundados e debates ampliados com os setores afetados.
O texto também defende a busca por um “equilíbrio” entre conservação ambiental e desenvolvimento econômico, indicando a necessidade de soluções que conciliem proteção de recursos naturais com a manutenção de atividades industriais e logísticas consideradas estratégicas para o Maranhão.
Participaram da reunião o superintendente da FIEMA, César Miranda e o gerente de Relações Governamentais da Alumar, Flávio Lima.