SÃO LUÍS – A Federação das Indústrias do Estado do Maranhão (FIEMA) e o Centro das Indústrias do Estado do Maranhão (CIEMA) reuniram, nesta quinta-feira (02/07), empresários, profissionais de Segurança e Saúde no Trabalho (SST) e especialistas para discutir os impactos da gestão de riscos psicossociais nas empresas. O encontro abordou as atualizações da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que passou a incluir, desde maio, a avaliação desses fatores no Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO).
A abertura foi conduzida pelo vice-presidente executivo da FIEMA e presidente CIEMA e do Conselho Temático de Assuntos Legislativos (CAL), Cláudio Azevedo, que destacou a importância em promover debates sobre temas estratégicos para o setor produtivo. "Nosso objetivo é orientar a classe empresarial sobre a aplicação da NR-1, esclarecendo as principais dúvidas e contribuindo para que as empresas estejam preparadas para atender às novas exigências da norma", afirmou.
Também participou o diretor suplente da FIEMA e presidente do Conselho Temático de Relações do Trabalho (CTRT), José Orlando Soares. Para ele, a NR-1 é a base do sistema de Segurança e Saúde no Trabalho no Brasil e as novas diretrizes ampliam o olhar sobre a proteção dos trabalhadores. "Não podemos falar apenas da saúde corporal. Se não discutirmos sobre saúde mental, deixaremos uma lacuna em tudo aquilo que buscamos promover dentro das empresas", ressaltou.
A programação contou com palestras do auditor-fiscal do Trabalho e chefe da Seção de Inspeção do Trabalho da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego no Maranhão (SRTE-MA), Paulo Lásaro de Carvalho Filho, e da auditora-fiscal do Trabalho e psicóloga da SRTE-MA, Elise Alcântara Alves Ferreira.
Durante sua apresentação, Paulo Lásaro explicou que o principal objetivo da iniciativa é aproximar empresas para apresentar a aplicação da norma. "Queremos iniciar um processo de discussão com a sociedade maranhense por meio da classe empresarial, aproximando os entendimentos e facilitando a aplicação da norma no dia a dia das organizações. É preciso que os ambientes de trabalho sejam mais saudáveis, seguros, além de produtivos", afirmou.
Elise Alcântara apresentou os principais aspectos técnicos da atualização da NR-1 e explicou como os riscos psicossociais devem ser incorporados ao Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO). Segundo ela, o ambiente de trabalho pode ser tanto um espaço de desenvolvimento quanto um fator de adoecimento, dependendo da forma como o trabalho é organizado.
Segundo dados do Ministério da Previdência, o Brasil registrou, em 2025, cerca de 4 milhões de afastamentos do trabalho por doença, dos quais mais de 546 mil decorreram de transtornos relacionados à saúde mental. Nesse cenário, a auditora-fiscal destacou que é essencial identificar, avaliar e prevenir os fatores de risco psicossociais no ambiente laboral. “Além disso, é fundamental implementar ações de prevenção para que os trabalhadores tenham um ambiente mais saudável e as empresas alcancem melhores resultados", enfatizou.
A auditora explicou ainda que, conforme o Manual de Interpretação e Aplicação do Capítulo 1.5 da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), os riscos psicossociais estão relacionados à organização do trabalho e abrangem fatores como assédio, metas incompatíveis com a realidade, falhas de comunicação, sobrecarga, baixa autonomia, conflitos interpessoais e trabalho remoto sem suporte adequado.