SÃO LUÍS- Com US$ 1,71 bilhão em exportações para a China e apenas US$ 289,3 milhões em importações, o Maranhão encerrou 2025 com um superávit superior a US$ 1,4 bilhão na balança comercial com o país asiático. A soja respondeu pela maior parte das vendas externas, seguida por celulose e minério de ferro, reforçando a posição chinesa como principal destino dos produtos maranhenses. No cenário nacional, a parceria também segue em expansão: somente no último ano, a China comprou cerca de US$ 100 bilhões em produtos brasileiros, consolidando-se como o maior parceiro comercial do Brasil. Esse avanço, no entanto, também revela um desafio: transformar a forte relação comercial em novos investimentos, diversificação produtiva e oportunidades para empresas de diferentes portes.
Foi para discutir esse cenário que a Federação das Indústrias do Estado do Maranhão (FIEMA) promoveu, em parceria com a Câmara Chinesa de Comércio do Brasil e com o apoio da Universidade Estadual do Maranhão (UEMA), nesta quarta-feira (15), em São Luís, o evento "Oportunidades de Negócios e Investimentos China & Hong Kong: Panorama 2026". Com programação voltada à internacionalização de empresas, ao fortalecimento das relações econômicas entre Brasil e China e à apresentação de estratégias para ampliar a presença de negócios brasileiros no mercado asiático.
Na abertura, a diretora da FIEMA, Tânia Miyake, representando o presidente da Federação, Edilson Baldez, destacou que a aproximação entre empresas maranhenses e o mercado asiático passa, antes de tudo, pelo acesso à informação e ao conhecimento sobre as particularidades da região. "A China representa uma das maiores oportunidades para a indústria brasileira. Nosso objetivo é aproximar os empresários desse mercado, oferecendo informações qualificadas, conexões e conhecimento para que possam expandir seus negócios com mais segurança e planejamento. A internacionalização é um caminho importante para aumentar a competitividade da indústria maranhense."
O primeiro painel, "Panorama Brasil-China 2026", foi conduzido pelo gerente da Câmara de Comércio e Indústria Brasil-China (CCCB), Arthur Guimarães. Ele apresentou uma análise da evolução das relações comerciais entre os dois países, destacando o crescimento das exportações brasileiras, a ampliação das oportunidades para pequenas e médias empresas, a diversificação da pauta exportadora e a necessidade de compreender aspectos culturais que influenciam as negociações. Segundo o especialista, construir relações de confiança e adotar uma visão de longo prazo são fatores determinantes para empresas interessadas em atuar no mercado chinês.
Na sequência, o painel "Hong Kong: Sua Plataforma de Negócios na Ásia" foi apresentado por Renato Oliveira, consultor sênior do Hong Kong Trade Development Council (HKTDC). A palestra mostrou como Hong Kong pode funcionar como porta de entrada para empresas brasileiras interessadas em acessar os mercados asiáticos, graças ao ambiente regulatório simplificado, à tributação competitiva, à infraestrutura logística e aos programas de incentivo para participação em feiras internacionais e rodadas de negócios.
O terceiro painel, "Comércio Exterior: Estratégias para Expandir Negócios com a China", foi ministrado por Gabriela Marcondes, CEO da NT Cargo. O especialista apresentou orientações sobre logística internacional, escolha de fornecedores, modalidades de pagamento, gestão de riscos e planejamento operacional, destacando que o preparo técnico e o conhecimento do mercado são essenciais para ampliar a competitividade das empresas brasileiras nas relações comerciais com a China.
Encerrando a programação, Maria Laura Fonseca, da CW CPA, conduziu o painel "Hong Kong ou China Continental? Como Escolher a Melhor Estrutura para sua Empresa". A apresentação detalhou as diferenças entre os dois ambientes de negócios, mostrando que Hong Kong oferece vantagens para operações financeiras e comércio internacional, enquanto a China continental se destaca para empresas voltadas à produção, à gestão de fornecedores e ao atendimento direto do mercado consumidor chinês.
Participaram do evento o vice-presidente executivo da FIEMA, Fábio Nahuz; diretores da Federação das Indústrias; o reitor da UEMA, Walter Canales; empresários, representantes da indústria e especialistas em comércio exterior.