SÃO LUÍS - A Federação das Indústrias do Estado do Maranhão (FIEMA), em parceria com o SEBRAE e o Governo do Maranhão, realizou entre os dias 6 e 10 de julho uma missão técnica voltada à Economia do Mar em três estados. A comitiva visitou instituições do Rio de Janeiro, da Bahia e do Ceará para levantar informações que subsidiem a elaboração do Diagnóstico da Economia do Mar do Maranhão. A agenda incluiu reuniões técnicas, apresentações metodológicas e visitas a centros de pesquisa e inteligência econômica. A iniciativa partiu do Grupo Pensar o Maranhão, coordenado pela FIEMA. A missão teve como foco conhecer experiências já aplicadas por estados que estruturaram políticas e indicadores para o setor marítimo.
A comitiva foi liderada pelo vice-presidente executivo da FIEMA e coordenador do Grupo Pensar o Maranhão, Luiz Fernando Renner, e reuniu representantes do setor produtivo e do governo estadual. Participaram também o secretário-chefe da Secretaria Geral da Governadoria, Luis Fernando Silva; os secretários adjuntos José Domingues Neto, da SEDEPE, e Marco Antônio Moura da Silva, da SEINC; o vice-presidente do SEBRAE-MA, Cristiano Fernandes; o empresário e ex-presidente da EMAP, Ted Lago; e o titular da Coordenadoria de Ações Estratégicas da FIEMA, o economista Geraldo Carvalho. O grupo buscou referências para mensurar o peso econômico das atividades ligadas ao mar e identificar oportunidades de investimento e qualificação profissional. A missão integrou representantes da indústria, do empreendedorismo e da administração pública em uma mesma agenda técnica.
No Rio de Janeiro, a delegação se reuniu com a Secretaria de Energia e Economia do Mar (SEENEMAR). Os encontros abordaram o modelo fluminense de governança para a economia azul, a articulação com a Marinha e as políticas de formação de mão de obra por meio do SENAI-RJ. A equipe também discutiu a estrutura da Comissão Estadual de Desenvolvimento da Economia do Mar (CEDEMAR) e os mecanismos adotados pelo estado para atrair investimentos ligados ao setor marítimo. O grupo avaliou instrumentos de coordenação entre governo, indústria e instituições de ensino técnico.
A agenda fluminense incluiu ainda uma reunião na Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (FIRJAN). A entidade apresentou projetos voltados aos segmentos naval, pesqueiro, energético e de descomissionamento, além de iniciativas de governança relacionadas à Economia do Mar. Os maranhenses analisaram a integração entre a federação industrial e o governo do Rio de Janeiro em ações voltadas ao setor. A experiência será usada como referência para a construção de uma estratégia semelhante no Maranhão.
Em Salvador, a comitiva visitou a Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI). Técnicos da instituição detalharam a metodologia utilizada para medir a contribuição da economia marítima para o Produto Interno Bruto (PIB) estadual e apresentaram o processo de contratação do diagnóstico baiano. A FIEMA considera essa experiência uma das principais referências para estruturar o levantamento previsto para o Maranhão. O encontro concentrou-se nos critérios de coleta, classificação e tratamento de dados econômicos do setor.
A missão também passou pela Fundação Aleixo Belov. A equipe conheceu o diagnóstico da Economia do Mar da Bahia, elaborado pela fundação a pedido da SEI-BA. A reunião tratou da adaptação da metodologia baiana às características da costa maranhense. A fundação apresentou sua experiência na consolidação de indicadores e cadeias produtivas ligadas ao mar.
Na fundação baiana, que deverá ser a realizadora do diagnóstico da Economia do Mar do Maranhão, face sua expertise no tema, a comitiva foi recepcionada pelo próprio comandante Aleixo Belov. Engenheiro e navegador que realizou, sozinho, três voltas ao mundo em barco construído no quintal da sua casa e mais duas em barco-escola, Aleixo Belov fundou empresas da área de engenharia naval. Uma delas é responsável pela construção do Berço 98, no Porto do Itaqui. Além da fundação, ele criou um Museu do Mar que abriga a embarcação que deu as três voltas ao mundo.
No SENAI Cimatec, em Salvador, os representantes maranhenses receberam informações sobre o projeto Cimatec Mar. O centro desenvolve pesquisas em robótica marinha, energias offshore, monitoramento ambiental e defesa em área portuária própria na capital baiana. Durante a visita, a instituição informou à FIEMA que pode colaborar na elaboração do diagnóstico maranhense. A agenda incluiu debates sobre inovação tecnológica e formação de profissionais especializados para atividades marítimas.
A etapa final da missão ocorreu em Fortaleza, no Observatório da Indústria da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (FIEC). A equipe cearense apresentou o Atlas Marinho e Costeiro do Ceará, elaborado com apoio da Secretaria do Meio Ambiente, e demonstrou como utiliza ciência de dados e inteligência de mercado para orientar decisões empresariais e políticas públicas. A FIEMA pretende usar essa experiência como referência para um atlas semelhante no Maranhão. O observatório mostrou ferramentas de monitoramento de indicadores e de análise territorial aplicadas à economia costeira.
A FIEMA quer avançar na elaboração do Diagnóstico da Economia do Mar do Maranhão e apresentar o estudo ao governo estadual como base para futuras políticas públicas. O estado possui o segundo maior litoral do país e uma infraestrutura portuária estratégica para ampliar atividades ligadas ao transporte marítimo, energia, pesca e inovação tecnológica. As informações coletadas nos três estados servirão para definir prioridades e orientar investimentos no setor. “A missão consolidou mais um passo na construção de uma agenda integrada, reunindo instituições públicas, setor privado e especialistas em torno de estratégias voltadas ao desenvolvimento sustentável e à competitividade industrial do Maranhão”, concluiu Renner.