SÃO LUÍS - A discussão sobre o desenvolvimento, a elevação da qualidade da produção e comercialização da cachaça e do mel produzidos no Maranhão reuniu Sebrae (gestor dos projetos), Federação das Indústrias do Estado do Maranhão (Fiema), Banco do Nordeste, Federação da Agricultura e Pecuária do Maranhão (Faema) e consultores, na Casa da Indústria Albano Franco.
Na ocasião foram criados dois comitês técnicos, integrados por técnicos das entidades, para reunir informações sobre os projetos e trabalhá-los em nível empresarial e industrial, com foco no mercado.
“São projetos extremamente relevantes e com grande potencial de geração de empregos, renda e desenvolvimento de regiões do Maranhão”, afirmou o presidente do Sistema Fiema, Edilson Baldez das Neves.
Pelo Sebrae, participaram o presidente do Conselho Deliberativo e secretário de Estado de Agricultura, Pecuária e Pesca, Cláudio Azevedo, e gestores do projeto Apis e do projeto Alambiques do Sertão Maranhense. Estiveram presentes também, pelo Sistema Fiema, o diretor regional do Senai, João Alberto Schalcher, o superintendente da Fiema e do Instituto Euvaldo Lodi (IEL), Marco Antônio Moura, e técnicos do Sistema, assim como representantes do Banco do Nordeste, da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Maranhão (Faema), da D’ Paula Consultoria e o empresário da empresa de refrigerantes Psiu, Marco Túlio Hoffmann.
Com enfoque empresarial e industrial dos dois negócios, a proposta é contribuir para aumentar a qualidade dos produtos e conquistar espaços para comercialização em estabelecimentos dentro e fora do estado.
“Criamos dois comitês técnicos para listar demandas e principais dificuldades dos dois projetos. Eles se reunirão periodicamente para estudar estes aspectos e buscar soluções, em conjunto, para desenvolver as duas cadeias produtivas”, afirmou Edilson Baldez.
Segundo informações do projeto Apis Alto Turi, desenvolvido pelo Sebrae, somente nessa região, são produzidos 1,3 toneladas de mel por ano, em dez municípios, envolvendo 490 produtores. Outras regiões do estado também estão se transformando em polo de produção do produto, como é o caso da região de Barra do Corda.
“Atualmente, o mel produzido na região do Alto Turi, por exemplo, é comprado por empresas do Piauí, Santa Catarina e Ceará. O produto é processado e fracionado nesses estados, para depois voltar ao Maranhão e ser vendido em nossos supermercados”, explicou Cláudio Azevedo.
“Para as cadeias avançarem, tanto a da cachaça como a do mel, as necessidades apontadas nos projetos são similares. Elas envolvem qualidade do produto, resistência ao associativismo e dificuldades técnicas”, explicou o secretário.
No caso da cachaça, por exemplo, o projeto atende produtores em municípios do sertão maranhense, que produzem, anualmente, cerca de 2,5 milhões de litros do produto, feito a partir da cana de açúcar.
Toda essa produção é absorvida pelo mercado, principalmente, em épocas de alta do mercado, como em datas festivas, porém, a qualidade da cachaça ainda deixa muito a desejar.
Segundo diagnóstico do projeto, apesar do nível tecnológico dos produtores, problemas para conseguir financiamentos bancários são o maior entrave apontado por eles, que reclamam de não poder investir mais no processo produtivo. Da forma como está, a garrafa de cachaça é vendida pelo preço de R$ 1,50, R$ 2,00, no máximo.
Uma das estratégias sugeridas na reunião é que os comitês busquem legislação e cases de sucesso em outros estados brasileiros, como Santa Catarina, Minas Gerais, Ceará, que já desenvolveram as cadeias da cachaça e do mel, no sentido de servir de base para a evolução dos trabalhos de acordo com a realidade experimentada no Maranhão.
Também foi discutida a qualidade da cana de açúcar utilizada na produção da cachaça e a possibilidade de buscar parcerias que viabilizem uma variedade mais resistente e de maior qualidade para o produto.
Atualmente, os municípios que mais produzem estão no sertão maranhense, dentre eles, Colinas, Pastos Bons, São Domingos do Azeitão, São João dos Patos, Sucupira do Norte e Sucupira do Riachão. Mas a produção total da bebida no estado chega a seis milhões de litros.