São Luís - Técnicos da Federação das Indústrias do Estado do Maranhão (Fiema), do Sindicato das Indústrias de Cana e Álcool do Maranhão (Sindicanalcool) e da Secretaria de Estado de Fazenda (Sefaz) constituirão uma comissão técnica para estudar incentivos para o segmento sucroalcooleiro maranhense.
A constituição do grupo de estudo foi acordada em uma reunião entre o vice-presidente da Fiema e presidente do Conselho Temático de Política Industrial (Copin) da entidade, Luiz Fernando Renner, o superintendente da Fiema, Albertino Leal, o representante do Sindicanalcool e empresário, Pedro Ticianelli, o presidente do Sindicato das Indústria de Leite e Derivados (sindileite), Alexandre Ataíde, e o secretário de estado de Fazenda Cláudio José Trinchão.
Na ocasião, foi entregue um documento ao governo solicitando incentivo para o segmento, que hoje não faz parte da lista de produtos que são incentivados no âmbito do programa Pró Maranhão, de fomento ao investimento em infraestrutura industrial.
“Por enquanto, estas indústrias estão atendidas pelo Sistema de Apoio à Indústria e ao Comércio Exterior do Estado do Maranhão (Sincoex), mas esta iniciativa está na sua reta final e precisamos pensar no futuro, até porque há uma grande oportunidade para criar mecanismos para incentivar o desenvolvimento deste segmento e atender ao mercado consumidor não só do Maranhão, mas de nossos estados vizinhos também”, comentou o vice-presidente da Fiema, Luiz Fernando Renner.
O secretário de estado de Fazenda assegurou que uma das ideias que deve ser estudada é uma legislação tributária específica para o segmento sucroalcoleiro. “O governo do estado é pró desenvolvimento e pró indústria e com certeza dará todo o apoio ao segmento, mas não podemos trazer perdas para a tributação final. Por isso precisamos estudar o caso”, explicou Trinchão.
Produção
Hoje o Maranhão produz cerca de 2,9 milhões de toneladas de cana por ano, o que equivale a cerca de 2,5% da produção do Nordeste. No entanto, de acordo com estudos realizados pela Fiema ainda há muito espaço para esta indústria crescer apenas pela substituição de produtos derivados da cana, como açúcar e álcool, hoje comprados em outros estados, como Alagoas e Goiás. A estimativa é que este mercado movimente cerca de R$ 90 milhões anuais apenas em açúcar.
“Nós atingimos um patamar de desenvolvimento tecnológico muito bom e produzimos com os mesmos parâmetros que Goiás e em sete ou oito anos poderemos atingir os mesmos patamares que São Paulo tem hoje”, observou Pedro Ticianelli.
“Mas agora precisamos pensar no futuro, porque o mercado interno pode sustentar com folga a expansão do parque fabril uma vez que dependemos muito da produção de outros estados para manter a demanda atual. Somente quando falamos de açúcar, o Maranhão produz apenas 5% do que consome. Em termos de álcool combustível, produzimos apenas 30% da nossa demanda interna. Mas precisamos de incentivo para manter a produção de álcool e açúcar no maranhão porque há grandes perdas. Apenas a principal empresa do segmento está perdendo receita na ordem de R$ 280 milhões por ano”, finalizou o representante do Sindicanalcool.